quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O Peso do Destino - Cap 18

o peso do destino, dark hunters, fanficO que raio fazia Kyrian á minha porta a uma hora daquelas? Era um pouco tarde para chá. Fiz-lhe sinal para entrar:

- Olá, não vale a pena entrar, vejo que estás de saída. - Comentou ele.

- Sim, estou mesmo, mas ainda não me disseste o que fazes aqui? - Insisti curiosa.

- O Ash mandou-me. Vamos fazer a ronda juntos hoje.



- Porquê? – Perguntei.

- Oh, não sabia que a minha companhia deixava tanto a desejar. – Brincou bem disposto.

- E não deixa, só estou surpresa por o Ash fazer tal coisa sem avisar.

- Bem, ele é assim, imprevisível. Ele a acha que é mais eficaz assim. Como os predadores não o podem fazer juntos sem se enfraquecerem uns aos outros, temos de fazer as rondas sempre sozinhos, mas já que tu não és uma predadora e és tão boa como qualquer um de nós, já é possível. És uma mais-valia.

- Vou ficar mal habituada com tanto elogio Kyrian! – Agradeci.

- Quem diz a verdade não merece castigo. – Sorriu - Vamos patrulhar a zona Norte esta noite.

E a conversa que estava a correr tão bem antes dele continuar a falar, pensei.

- Mas eu ia patrulhar esta zona, a minha zona. – Disse não muito contente.

- Só estou a seguir as ordens do Ash, não mates o mensageiro.

- E isso significa que eu também tenho de as seguir?

- Não sei…acho que sim? – Disse hesitante.

- Tudo bem – Disse rendida – Por hoje pode ser, mas diz ao Ash que eu não gosto de ordens, tenho a minha maneira de fazer as coisas. Não leves a mal, eu estou do vosso lado e ajudo no que puder, mas o Ash que não pense que vai fazer de mim um soldadinho. – Disse com um toque de irritação na voz.

- Sim, eu digo, fica descansada. – Disse divertido.

- Estás a achar piada?

- Sim, estou. És a primeira pessoa que contesta as ordens do Ash, que se sente tão á vontade perto dele, e que lhe dá trabalho…é revigorante.

- Quando as coisas não me agradam, normalmente não consigo ficar calada. E o Ash não é assim tão assustador. Ele tem aquela armadura para manter o respeito e para vos proteger. Quanto mais frio e distante for melhor avalia as situações e consegue ser imparcial, ajudando os outros quando estes não o conseguem fazer sozinhos. Mas por dentro é uma pessoa normal, com sentimentos, como todos nós.

- Acho que já o conheces melhor que nós.

- Estou a chegar lá. Bem vamos a uma caçada?

- Vamos lá, que hoje apetece-me apertar o pescoço a uns quantos daemons. – Riu.

A noite estava a correr bem. Tinha de dar crédito ao Ash por isso, estava a ser tudo mais produtivo do que seria se tivesse ido sozinha para a zona leste. Mas de repente tudo mudou. Parecia uma cena de filme. Num momento estava tudo bem e no segundo seguinte estava tudo mal.

Ambos sentimos alguém aproximar-se, mas enquanto eu não senti nada de ameaçador na aura de quem se aproximava, senti a fúria do Kyrian crescer a passos largos. A figura aproximou-se e revelou-se um homem bastante atractivo, para variar. E de repente o Kyrian foi na direcção dele com intenções de o matar. Eu fui obrigada a intervir e meti-me no meio, impedindo que o Kyrian fizesse alguma asneira.

- O que estás a fazer Kyrian? - Perguntei hesitante.

- Não te metas Eva e sai da minha frente. – Ordenou descontrolado.

Ele insistiu e eu não tive outro remédio a não ser prendê-lo com o meu poder enquanto pedia explicações á outra pessoa que ali estava:

- Quem és tu? - Perguntei com uma certa autoridade.

- Sou o Valerius, um predador e tu?

- Eu estou a ajudar-vos. Podes dizer-me por que raio está o Kyrian a reagir desta maneira, que motivo tenho eu para não o soltar?

- São problemas antigos, que ele não consegue ultrapassar. Eu não vou ficar aqui a ser interrogado por alguém que não conheço, só vim avisar que esta zona está livre de daemons. – Disse de forma arrogante.

- Está bem, vai lá que eu aguento-o por mais uns segundos.

Ele acenou e desapareceu. Soltei o Kyrian segundos depois e apesar de ter estado paralisado tinha ouvido tudo:

- Por que raio não me deixaste desfazê-lo em pedaços? – Perguntou irritado como eu nunca tinha visto antes.

- Achas mesmo que te ia deixar atacar alguém, quando eu não faço a mínima ideia do que se passa Kyrian?

- O que se passa é que aquele cabrão que deixaste ir embora é o neto do homem que me crucificou e teve a minha própria mulher como ajudante, isso foi o que se passou. Ainda por cima o sacana é a cara chapada do avô! – Bufou de raiva, afastando-se.

Fui atrás dele e impedi-o de ir embora agarrando-o pelo braço:

- Espera lá Kyrian. Acalma-te um pouco. – Pedi.

- Como queres que me acalme?

- Ouve-me por favor. Só te peço isso.

Peguei nas mãos dele com as minhas, olhei-o directamente e falei-lhe num tom calmo e tranquilizador. Curiosamente, tal como acontecera com Ash, também Kyrian parou para me ouvir:

- Se ele tivesse outro aspecto, se não fosse tão parecido com o avô, faria alguma diferença? - Perguntei.

- Não sei, talvez não despoletasse tanto as recordações. Mas é tão difícil não reagir ao impulso. - Revelou.

- Acho que é somente o seu aspecto que te irrita Kyrian. Lá no fundo tu sabes que ele não é responsável pela crueldade de que foste alvo, ele era uma criança na altura. Pelo que vi da sua mente, também sofreu às mãos da sua família. Por mais que te custe, não podes culpá-lo por algo que não fez, não é justo. O Valerius também sofre pelo que a família te fez, e lembra-se perfeitamente da noite em que mataste o seu avô, ele estava escondido no armário e viu tudo.

Reinou um silêncio no ar depois de acabar de falar. Consegui perceber que o Kyrian tentava mesmo lutar contra o impulso de se deixar levar pela raiva acumulada que tinha dentro de si. Percebi que ele lutava com todas as suas forças para que desta vez visse a razão. Ele era um lutador, isso tinha de admitir.

- Vou deixar que ele vá desta vez. - Brincou ele já mais calmo, mostrando um sorriso.

- Fico contente em ouvir isso Kyrian. - Respondi mais aliviada.

- O que tens tu que faz as pessoas verem as coisas de outra perspectiva? És tão nova e ao mesmo tempo tão sábia. – Afirmou, num tom de admiração.

- É como o Ash, estou do lado de fora, sou imparcial, consigo compreender melhor as coisas, só isso. - Conclui.

- Ah percebo. Mas sabes, acho que nunca ninguém me fez ver as coisas assim. Ficava sempre tão furioso que não conseguia pensar em mais nada, a não ser que estava a ver o avô dele e que tinha de me vingar. – Confessou, com arrependimento e um pouco de vergonha na sua voz.

- Não penses que não compreendo, devia ser difícil de te controlares, é mais que compreensível. Mas agora acho que será mais fácil, acho que estás no bom caminho.

- Será que o Ash viu que isto ia acontecer e te mandou para ajudar?

- Credo, ele também vê o futuro? Isso é assustador, mas quem sabe...

- Talvez, vai dar trabalho não ceder às emoções, requer esforço e paciência e eu sei que consigo ultrapassar isto.

- Também acho que sim Kyrian, és um homem bondoso e inteligente, sabes o que tens de fazer.

- Obrigado por tudo Eva…é uma bênção teres aparecido e estares do nosso lado.

- Oh vá lá Kyrian, não vamos ficar lamechas, pode ser? – Disse envergonhada.

- Pronto, pronto já não digo mais nada. – Riu.

- Acho que por hoje podemos dar a ronda por terminada.

- Sim, o Valerius disse que esta zona já estava segura.

- Ah muito bem, estamos a fazer progressos. – Disse, dando-lhe um empurrãozinho. – Até amanhã.

- Sim, sim, até amanhã! – Disse o Kyrian, contendo um sorriso.

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