quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O Peso do Destino - Cap 16

o peso do destino, dark-hunters, fanficAsh continuava furioso, e um pouco mais por impedi-lo de sair á rua e acabar com todos os daemons que encontrasse, mas para minha própria surpresa, estacou quando o segurei. Tudo o que vi no seu olhar foi a sua preocupação, a sua fraqueza, ele estava vulnerável, a Simi era o seu ponto fraco. 

Desta vez segurei o seu rosto com as duas mãos e falei-lhe calmamente:




- Escuta o que te vou dizer, por favor Ash. – Disse fixando o seu olhar – Ela está bem e vai voltar tudo ao normal, a Simi está a salvo, eu assegurei-me disso!

- Mas podia estar morta por minha causa, não consigo suportar esse pensamento! – Disse carregado de dor em cada palavra.

- Mas não está, eu estava lá e tratei do assunto!

- E se não estivesses lá Eva? – Interrompeu-me.

- Mas estava, algo me colocou no caminho dela para a socorrer!

- Acreditas mesmo no que estás a dizer? – Perguntou ele cético.

- Tenho de acreditar. Se não acreditar que é assim, não tenho mais nada a que me agarrar! – Disse tristemente.

Então, gradualmente, os olhos do Ash voltaram ao seu normal azul acinzentado ou prateado, não conseguia dizer quantas cores aqueles olhos mostravam. Era sinal que ele estava mais calmo. Eu sorri-lhe e a sua expressão suavizou. Conduzi-o ao sofá obrigando-o a sentar-se:

- Agora vais ficar ai sentado e quietinho enquanto vou fazer café como tu gostas, e não te atrevas a desaparecer ou eu vou atrás de ti e trago-te de volta seja como for! – Ordenei na brincadeira.

- Está bem mestre, eu fico! – Disse, levantando os braços em sinal de rendição, e não conseguiu evitar rir da minha boa disposição.

...

Como conseguia ela manter a cabeça fria e o optimismo quando coisas más, como aquela, aconteciam? Como conseguia acalmar as pessoas? E pela primeira vez alguém o tinha conseguido fazer sair do seu estado descontrolado antes que fosse tarde demais. Ele estava surpreso. Seria este mais um dos seus dons, ou seria ela mesmo assim? Perguntou-se a ele mesmo.
...

Para ser sincera, eu não tinha tido medo do Ash, mas tinha tido medo de não o conseguir travar, de não o conseguir tirar daquele estado de raiva e de descontrolo. Mesmo assim, não podia mostrar isso, se queria que as coisas funcionassem tinha de manter o sangue frio e agir. Fui preparar o café e enquanto se fazia fui apanhar os cacos do prato que estavam no lava-loiça:

- Peço desculpa por isso! – Disse ele olhando por cima do sofá.

- Deixa lá, o que não me falta aqui são pratos para partir…coisa que acontece uma vez ou outra quando estou frustrada! – Desabafei na brincadeira.

...

Ela esticou-se para guardar um copo no móvel e o Ash não pôde deixar de reparar na mulher que estava á sua frente. A sua blusa subiu ligeiramente, o que lhe permitiu ver como lhe ficavam bem aquelas calças de cintura descaída. A pele dela parecia suave como veludo e era de um tom dourado. Ele deu por si a imaginar o seu toque, mas entretanto ela virou-se e ele teve de afastar aqueles pensamentos e recompor-se. Ele sentiu que ela começava a afectá-lo.

...

Entreguei-lhe o café e sentei-me no sofá pequeno oposto ao dele. Era estranho para mim estar perto do Ash, era um misto de sensações. Eu não sabia do que falar, ficava facilmente sem assunto. Então mencionei a Simi:

- A Simi…é incrível!

- É mesmo. É a coisa mais importante que tenho na vida e depois são os meus homens!

- Eu reparei – disse bebendo um pouco do seu café – Ficaste furioso quando soubeste o que lhe aconteceu.

- Como podia não ficar? Ela é como se fosse uma filha para mim! – Confessou o Ash.

- Admiro isso sabes? Eu também valorizo muito as pessoas que me são queridas, já que não tenho muitas, tenho de lhes dar o devido valor!

- Eu também reparei nisso. Mas tens também outro dom…o dom de ir em socorro de completos estranhos, independentemente de estares em desvantagem ou não, simplesmente vais!

- Se visses alguém que precisasse de ajuda ignorarias? – Perguntou ela.

- Provavelmente não. – Respondeu.

- Vês? Eu também não. Afinal não somos assim tão diferentes. – Disse, dando outro gole no café e olhando-o por cima da caneca.

Aquela troca de olhares quase que me fez hiperventilar. Eu tinha coragem para enfrentar tudo o que me aparecesse á frente, sem hesitar, mas olhar o Ash directamente era algo que me fazia estremecer, não de medo, mas de êxtase.

Aquele homem era algo, um achado. Agora percebia porque é que outros o temiam tanto. Era aquela aura dele, que projectava de propósito para que lhe tivessem o devido respeito. O Ash era, de facto, tão poderoso como aparentava e possivelmente muito mais, e tendia a manter a sua distância das pessoas. Perguntei-me como teria sido a sua vida para que se tornasse assim, numa pessoa tão fechada e que se negava a muita socialização, mas por baixo daquilo tudo, eu sabia que ali estava um homem bom.

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